sexta-feira, 2 de maio de 2008

REFLETINDO SOBRE MINHAS APRENDIZAGENS

Fazendo uma retomada de meu portfólio de aprendizagem, a partir das postagens no blog e também de minhas produções individuais publicadas no webfólio ou no pbwiki, cada vez tenho mais convicção em afirmar que o PEAD proporciona oportunidades que normalmente não teríamos num curso presencial. Aqui, nós determinamos os nossos ritmos e as nossas possibilidades. Num curso presencial, quem não acompanha a turma fica para trás. No PEAD podemos recuperar o fôlego e, a partir das nossas próprias forças e condições, retomar do ponto no qual estamos e seguir em frente. Desde que haja vontade e disposição para o estudo e a pesquisa.

Uma das atividades que me marcou no último semestre foi o trabalho de MPB com as crianças. Sou apaixonada pela música e sempre a utilizei como recurso pedagógico em sala de aula, mas nunca havia refletido sobre a música em seu enfoque simplesmente sonoro ou como um bem que pertence a todos e a todas na sua magnitude. A possibilidade de descobrir, juntamente com uma turminha de crianças da Educação Infantil, que a música não pertence ao cantor ou ao compositor, mas pertence a nós, que podemos utilizar nosso corpo como instrumento musical (e que grande instrumento ele é!) e que a natureza nos proporciona diariamente maravilhosas sinfonias...tudo isso foi uma grande e prazerosa aprendizagem. Interessante, também, a estratégia da pesquisa tanto relativa ao gosto musical dos alunos e alunas quanto de suas famílias. O resultado dessa pesquisa coincidiu com o que encontramos nas lojas de música da cidade. O que era uma amostragem do padrão musical daqui tornou-se uma evidência de que é necessário trabalhar a música com nossas crianças de uma forma mais crítica e sensibilizadora para que possamos contribuir na transformação dessa realidade alienante que percebemos nos dias de hoje, ditada pelo comércio e não pelo capital cultural do nosso povo.

A interdisciplina de Música, assim como a de Literatura, talvez por minhas preferências pessoais nessas áreas, me ajudaram a transpor algumas barreiras em relação a textos e músicas que não costumava utilizar em sala de aula por julgar de difícil abordagem e exploração. Sempre tive algumas dificuldades em trabalhar a poesia, por exemplo, pensando que, após a leitura das mesmas, havia poucas possibilidades de exploração. Os alunos apresentavam mais dificuldades de interpretação do texto poético devido à linguagem mais simbólica, portanto, era mais trabalhoso. Através da atividade sobre as dimensões da poesia, busquei alguns poemas que há muito já não lia e pude deliciar-me ao perceber que "Pé de Pilão" continua encantando e que a sua narrativa em versos não complica o seu entendimento pelas crianças. Foi ótimo esse resgate, e me mostrou que a poesia é sim um caminho que pode render frutos muito significativos e propiciar aprendizagens cheias de sentido. "Pé de Pilão" nos levou para os caminhos não só da poesia, mas virou música e teatro na produção criativa das crianças, revelando que as facetas da arte são diversas e se complementam como expressão cultural.

Nesse semestre, estamos enveredando pelos caminhos da Matemática, das Ciências e dos Estudos Sociais. Aos poucos, através do desenvolvimento das atividades, velhos conceitos vão sendo revistas, outras perspectivas se abrem e novos horizontes se vislumbram. É bom descobrir que ainda temos tanto a aprender, que a vida ainda nos oferece segredos a desvendar, mesmo quando acreditamos que já dominamos tudo sobre aquilo que vivemos em nosso dia a dia.

A cada semestre, pela característica das interdisciplinas que desenvolvemos, torna-se mais necessária a ampliação do uso da tecnologia. Já não basta dominar o blog, utilizar o Pbwiki ou os recursos do Power Point, por exemplo. É necessário ir mais além, é preciso aprender a lidar com o som e a imagem, usufruir de programas nunca utilizados, mexer com recursos ainda misteriosos. Em muitos casos, meus alunos conhecem esses recursos melhor do que eu e vêm em meu auxílio. De qualquer forma, trata-se de descobertas e construções que vão se fazendo ao longo do processo e de forma coletiva. Os índios costumam dizer que só se aprende enquanto há encantamento. Eu acredito nisso. Enquanto nós professores tivermos a capacidade de nos encantar com o novo, estaremos levando esse encantamento aos nossos alunos, que estarão aprendendo verdadeiramente. As tecnologias, por seu caráter inusitado e quase mágico, encanta. Eu me encanto e, com certeza, transmito esse encanto.

Sou um ser essencialmente em busca e constantemente discordante. Aprender, nessa perspectiva, descobrindo o novo onde o velho já mofava, é fonte de extrema alegria. No PEAD tenho a possibilidade de buscar a minha própria aprendizagem a partir da minha dinâmica pessoal e, ao mesmo tempo, posso discordar dos caminhos, dos métodos, das idéias,... E isso é imprescindível para a minha aprendizagem.

Enfim, aprender é, sobretudo, quebrar paradigmas. O PEAD tem contribuído de forma fundamental nesse processo de ruptura que tenho vivido com o senso comum. Tenho vivenciado experiências que, sistematizadas através do aporte teórico, representam a desmistificação das verdades que antes me norteavam e agora, aos poucos, venho reafirmando ou rejeitando. Isso é aprendizagem, é crescimento e, sobretudo, qualificação do ser humano.

1 comentários:

Rose disse...

Olá Simone!!
Tua reflexão é bem significativa e demonstra teu envolvimento com as atividades propostas, e como o PEAD contribui para teu crescimento docente.
Como sugestão, poderias enriquecer mais teu portifólio de aprendizagens, postando atividades que fizestes com teus alunos.
Pensa nisso!!
Um abraço, Rose