quarta-feira, 5 de novembro de 2008

GESTÃO DEMOCRÁTICA NA ESCOLA

Convivemos atualmente, na escola pública, com os mais diversos discursos ilusionistas que buscam nos convencer de que a escola é uma instituição democrática e que a educação, por si só, garante a democracia das relações. Modismos e manifestações politicamente corretas à parte, faz-se necessário analisar essas relações conceitualmente e desmistificar o discurso "democrático" que temos ouvido e aceitado durante tanto tempo.

Democracia pressupõe o poder de participação do povo, que somos todos nós. Elegemos nossos representantes para que defendam nossas posições, mas o poder é nosso, do povo. O fato é que as coisas não funcionam exatamente assim e, à revelia de nossa opinião, muitas vezes, aqueles que nos representam legislam e administram na contra-mão. E pior, agarram-se ao poder (nosso poder) de tal forma que nos impedem de opinar, de participar e de intervir em nossos espaços como cidadãos.
Educação e política são conceitos diferenciados, mas ligados pela essência. Educar é um ato político e assim deve ser exercitado. Somente através do exercício político da educação como qualificação do sujeito estaremos caminhando para a efetiva democratização da escola.
A escola democrática é viva, participante, política, dinâmica, autônoma. Essa escola exige a Gestão Democrática, que se dá a partir das relações de igualdade e respeito de toda a comunidade escolar, pressupondo a participação de todos e todas num processo de construção coletiva do projeto da escola e da rede, o respeito às opiniões, movimentos e reivindicações do coletivo.
Alguns governantes banalizam a idéia de Gestão Democrática na escola pública associando-a exclusivamente à eleição de diretores (e qualquer forma de eleição). Nessa ótica, até a indicação de direções de escolas através de lista tríplice se torna estratégia de marketing da suposta democracia sugerida por esses governos.
Gestão Democrática é participação, é empoderamento de todos os segmentos que compõem as comunidades escolares. A democratização da escola passa pela eleição das equipes diretivas, mas que se trate de um processo qualificado, efetivamente democrático e que contemple as comunidades, sem a influência de interesses governamentais. Assim, as equipes diretivas atuarão na perspectiva dos anseios de suas comunidades, tornando-se o reflexos do projeto no qual acreditam e que buscam qualificar, não se revestindo, como hoje, da autoridade pré-concebida de representantes do Estado.
Não se democratiza com paternalismo e sorrisos condescendentes de "déspotas esclarecidos", mas argumentando e criando condições para participação, discussão concreta, sendo sujeitos e propiciando ao outro que seja sujeito.
Democratizar a escola pública é essencial e urgente, mas sem paródias nem arremedos democráticos. Nós, militantes da educação, precisamos ser radicais no que perseguimos: uma escola pública democrática e de qualidade. É nosso direito de cidadãos e nosso objetivo como sujeitos.

2 comentários:

Gláucia Henge disse...

É...De fato, esse radicalismo que você aponta, mais próximo à convicção e luta por certos ideais pode sim contribuir para se alcançar uma educação mais democrática.

Um grande abraço, Gláucia.
Tutora - Org.Ens.Fundamental

Suelen Assunção disse...

Simone querida!
Muito política a tua reflexão. Adorei.
Mostra todo o teu posicionamento crítico frente aos fatos políticos escolares, assim como a própria prática escolar.
Parabéns por estar exercitando o teu pensamento.
Beijão
Suelen - tutora da sede - Seminário Integrador V