quarta-feira, 5 de novembro de 2008


SER PROFESSORA EM TEMPOS DE DESESPERANÇA E LUTA

"Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É preciso que a JUSTIÇA e a PUREZA estejam DENTRO DE NÓS."

A frase de Agostinho Neto é muito significativa neste momento que vivemos, pois traduz o sentimento necessário de esperança na integridade dos seres humanos, das instituições e nas causas que os envolvem.
Vivemos tempos de descrença. Perdemos, em muitos momentos, a fé na solidariedade, no companheirismo, na união, no coletivo. Os exemplos vivos e públicos de corrupção e individualismo nos bombardeiam e arrasam todos os dias. Quase não acreditamos mais nas pessoas...e por que acreditaríamos se o mundo nos apresenta todos os dias exemplos de causas justas e puras sendo aniquiladas por indivíduos que as corrompem? Essa é a lógica da desilusão.
Mas o mundo exige mais de nós. Em meio ao caos ético desse país estamos nós que, em algum momento de nossas vidas, optamos por nos tornarmos educadores. Travamos a luta diária contra a desesperança, o "descrescimento", a desumanização. É a boa luta. E essa luta nos impele a defender nossos direitos e a buscar na coletividade o que nos contempla individualmente. Essa luta nos humaniza e fortalece, nos coloca acima do que nos é imposto e traz para dentro de nós a justiça e a pureza.
Paulo Freire disse que "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." Somos, portanto, agentes e anunciadores da mudança. Agimos e interagimos no caos e na calmaria. Não podemos nos omitir. Precisamos ter "lado". E quem tem "lado", tem junto de si companheiros e companheiras da boa luta.
Mesmo no caos institucionalizado, nós, professores, avançamos muito em nossas conquistas, nos últimos tempos. Nossa causa é justa e é pura! Mas não basta! Queremos resgatar a justiça e a pureza no mundo, no país, na nossa cidade. E queremos continuar conquistando, continuar crescendo, continuar lutando. Queremos mudar o mundo! E por que não?
É dever de cada um e cada uma de nós trazer e preservar a justiça e a pureza da nossa profissão. E só faremos isso sendo capazes de construir e preservar a união, a força, a coragem, o respeito às diferenças, a solidariedade e a consciência da coletividade dentro de nós.

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