Durante a etapa municipal da Conferência Nacional de Educação, em Novo Hamburgo, a temática que mais repercutiu foi a que abordava a inclusão. O tema foi exaustivamente debatido e houve inúmeras emendas ao documento-referência, contemplando os diversos tipos de necessidades especiais que podem permear o cotidiano escolar.
Foi muito interessante participar desse debate, mas quero aqui colocar minha preocupação no que diz respeito aos caminhos que podemos estar tomando no intuito de resolver as questões que envolvem a inclusão no contexto escolar.
A legislação, assim como todos os estudos atuais, apontam para a obrigatoriedade da inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais na escola regular, propiciando, assim, o convívio estimulador com crianças ou adolescentes da sua faixa-etária, facilitando a sua socialização. É, portanto, um direito do aluno com necessidades educacionais especiais estar na escola, na sala de aula, com seus colegas e seus professores, sendo acolhido e tendo a oportunidade de vivenciar as mesmas experiências e as mesmas aprendizagens que os outros alunos.
Minha preocupação no decorrer da CONAE em Novo Hamburgo é que esse debate parece estar começando a transitar na contra-mão. Ao mesmo tempo em que a própria legislação garante cada vez mais veementemente esse direito, os professores mais se debatem e firmam posição no sentido de colocar que não estão preparados para trabalhar com esse tipo de aluno e que as escolas não têm estrutura para acolhê-los.
As escolas especiais, por outro lado, acorrem ao debate na tentativa de defender o seu quinhão e demarcar o seu espaço. Nisso, recebem os aplausos entusiásticos de uma grande parcela dos professores da escola regular que consideram que o lugar das pessoas com necessidades educacionais especiais é realmente na escola especial, pois esta tem um trabalho direcionado e vai acolher essas pessoas com condições de contribuir para sua formação.
Ora, a Constituição Federal afirma que todos têm direito à educação, sem distinção. Isso significa que a escola – principalmente a escola pública – é de todos e para todos. Não podemos mais esperar que alguém magicamente nos prepare para receber alunos com necessidades educacionais especiais. Esses alunos não podem esperar e têm o direito de estar na escola já. Precisamos ter em mente que o caminho se faz ao caminhar, e que devemos estar prontos a aprender junto com essas crianças em nossas salas de aula, auxiliando-as a superar suas dificuldades, interagindo com elas e construindo na prática uma educação verdadeiramente inclusiva.
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