terça-feira, 7 de julho de 2009

EDUCAÇÃO PARA A PAZ

Vivemos em tempo difíceis, em que a violência e a injustiça, assim como as atitudes egoístas são corriqueiros e banais. Diante disso, o texto de Adorno – Educação após Auschwitz – foi muito significativo e quero registrar aqui minhas reflexões sobre ele, reproduzindo a parte mais interessante (sob meu ponto de vista) de minha produção acerca dele:

(...) Para evitar que barbáries como o holocausto se repitam, Adorno aponta como caminho a educação para a autoreflexão crítica. Afirma ele que “Deve-se conhecer os mecanismos que tornam os homens assim,(...) mostrar esses mecanismos a eles mesmos e buscar evitar que eles se tornem assim.” Para evitar que outras barbáries como Auschwitz tornem a acontecer, devemos lutar contra essa inconsciência, “devem os homens ser dissuadidos de, carentes de reflexão sobre si mesmos, atacarem os outros”. (ADORNO, Educação após Auschwitz). Para isso, é necessário um plano de educação para a autoreflexão crítica, iniciada e enfatizada na primeira infância, quando se forma o caráter e o indivíduo se constitui como pessoa.
Sobre essa educação, Adorno coloca:
“Se falo da educação após Auschwitz, tenho em mente dois aspetos: primeiro, a educação infantil, sobretudo na primeira infância; depois, o esclarecimento geral, criando um clima espiritual, cultural e social que não dê margem a uma repetição; um clima, portanto, em que os motivos que levaram ao horror se tornem conscientes, na medida do possível.” (ADORNO, Educação após Auschwitz)

Diante das colocações do autor, creio que a citação acima, em minha opinião, seja sua melhor contribuição para nós, educadores e pesquisadores da educação. Vivemos um mundo no qual a barbárie existe cotidianamente. Menos coletivamente do que no holocausto, mas rotineiramente. Todos os dias tomamos conhecimento e vivenciamos pequenos e grandes demonstrações de violência. Convivemos com roubos, assaltos, assassinatos, extorções, corrupção, enfim, as mais variadas formas de violência física ou simbólica, que podem, metaforicamente, ser vistas como pequenos holocaustos, que aos poucos vêm corroendo as estruturas cada vez mais frágeis da nossa sociedade.
É importante, portanto, que tenhamos a clareza de que a educação é a única possibilidade concreta que se vislumbra que possa trazer a humanidade para a consciência do que está se passando e modificar os rumos dessa caminhada insólita. Uma educação que construa, na infância, as possibilidades da reflexão efetiva e no decorrer da vida se torne uma fonte permanente dessa mesma reflexão e de esclarecimento. Uma educação cujos valores se agreguem aos homens de forma a se tornarem inerentes a ele e que aponte os caminho de um mundo melhor, mais justo, mais igual e menos cruel.

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