sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

APRENDENDO COM A DIFERENÇA



A interdisciplina de LIBRAS me proporcionou alguns momentos de reflexão acerca de um tema que me era um tanto distante e sobre o qual ainda não tinha muito conhecimento: as questões que envolvem a população surda e suas alternativas de aprendizagem e convívio na escola e na sociedade em geral.
Como escrevi em meu primeiro trabalho desta interdisciplina, “Minha experiência no contato com pessoas surdas não tem sido muito grande. Efetivamente, nunca tive a oportunidade de me relacionar com alguém surdo. Meu contato com essas pessoas, até hoje, se deu apenas através da observação de estranhos na rua ou em outros locais públicos. Nunca precisei nem tentei me comunicar com uma pessoa surda.”
Meu desconhecimento do assunto, num primeiro momento, fez com que me sentisse impotente diante de tudo que percebi que representava a aprendizagem de LIBRAS para que, como educadora, pudesse estar trabalhando de forma efetiva com alunos surdos. No entanto, conhecer a história e a luta das pessoas surdas para serem reconhecidas, respeitadas e valorizadas em suas diferenças e seus direitos foi muito significativo. Aprendi que posso contribuir para o processo de inclusão das pessoas surdas a partir do investimento em minha formação e da qualificação de minha prática pedagógica, assim como do estímulo à ampliação do debate que envolve essas questões.
É necessário considerar o fato de que o educando surdo, apesar de ter todas as possibilidades de transitar no universo ouvinte, possui identidade e características culturais próprias que precisam ser respeitadas e potencializadas no sentido de garantir seu desenvolvimento e sua permanência na escola. Nesse sentido, é fundamental possibilitar à pessoa surda o acesso a vias comunicativas que possibilitem esse desenvolvimento e a sua inclusão em qualquer espaço ou grupo, seja ele ouvinte ou não.
O conhecimento, embora superficial ainda, sobre LIBRAS, levou-me a perceber que a aprendizagem da língua de sinais é recurso essencial para a educação de pessoas surdas e que, para isso, as escolas e as mantenedoras precisam investir na formação e na qualificação de professores para que dominem essa língua, o que se faz necessário não apenas nas escolas para surdos mas também nas escolas regulares. Nessas últimas, deve-se prever e prover a presença de um professor especializado em língua de sinais para auxílio dos professores das turmas que acolhem alunos surdos, assim como dos demais membros da comunidade escolar desta relação de convívio. Além disso, a presença de professores surdos também constituem uma alternativa qualificadora dos processos de ensino e aprendizagem, assim como dos intérpretes da língua de sinais.
Através dos estudos realizados na interdisciplina de LIBRAS, compreendi que é urgente e imprescindível que se rompa com preconceitos e estereótipos e que tanto as instituições como a sociedade em geral sejam informados sobre as questões que envolvem a surdez e, sobretudo, sobre o fato de que a pessoa surda apresenta todas as capacidades de que são dotados os ouvintes e que apenas trazem consigo a peculiaridade na sua forma de comunicar-se com os outros.
É a partir do reconhecimento e do respeito às diferenças e especificidades dos alunos surdos, assim como da oferta das possibilidades educativas às quais estes têm direito tanto quanto os ouvintes que caminharemos cada vez mais na direção da construção de uma escola efetivamente inclusiva e cidadã. Nós, educadores, temos um papel fundamental nessa construção: conhecer a cultura e a língua dos surdos, reconhecer e garantir o direito à sua identidade e oportunizar momentos, ações e atividades que permitam que as pessoas surdas assumam o protagonismo e desempenhem papéis diretivos. Só assim as pessoas surdas poderão sentir-se pertencentes aos seus grupos de forma efetiva e exercer plenamente suas capacidades, tornando os espaços nos quais estão inseridas espaços de formação e prática de cidadania e, consequentemente, construção de lideranças.

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