A interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil teve para mim um sabor especial, em primeiro lugar, por tratar-se de um assunto pelo qual sou uma apaixonada e, em segundo e não menos importante lugar, porque foi uma interdisciplina que nos proporcionou a experimentação prática de muito do que temos aprendido no decorrer do curso.
A Educação de Jovens e Adultos faz parte da minha vida profissional há muito tempo. Já vivi diversas experiências nessa modalidade, desde os projetos de alfabetização de adultos desenvolvidos em instituições não formais, passando por essa atividade dentro de empresas, e finalmente no espaço escolar. Não consigo classificar hierarquicamente o nível de satisfação que tive em cada um desses espaços, pois todos eles ficaram marcados como especiais em minha vida. Creio que cada um deles me construiu como educadora e me ajudou a tornar-me sempre melhor do que era no momento anterior.
Hoje, não mais trabalhando com EJA e nem na escola formal, deparei-me com a grande possibilidade de reflexão sobre minhas concepções acerca dessa modalidade que me proporcionou essa interdisciplina e devo confessar que, num primeiro momento, assumi a postura de quem muito sabia e, portanto, pouco teria a aprender. “O que ainda podem me ensinar sobre a EJA?” eu pensava do alto de minha experiência consolidada e assumia ares de superioridade, preparando-me para cumprir o que estava encarando como uma simples tarefa necessária para concluir o curso.
O que não imaginava – e que boa surpresa - era que teria nessa interdisciplina uma professora que, ao meu ver, reúne tudo o que acredito ser necessário para que se possa ser chamado de educador: impetuosidade, vitalidade, alegria, paixão de aprender e ensinar, tranqüilidade, capacidade de compreender, capacidade de repreender sem ferir, determinação, sentimento humano, capacidade de enviar a palavra encorajadora e amiga no momento de ansiedade e nervosismo, criatividade, enfim, isso está parecendo uma longa lista de elogios tendenciosos...mas não é. Faço questão de citar todas essas características que vejo na professora Dóris (e não sou dada a elogios gratuitos) porque aprendi com ela com é bom ter como professora alguém que nos compreende, acolhe, incentiva, auxilia, exige, corrige, contesta, falha, reconhece a falha, fala conosco sobre a falha... e todos aprendemos inclusive com a falha.
O que estou escrevendo aqui não será considerado uma evidência de aprendizagem e meus argumentos tampouco serão aceitos como provas de aprendizagem efetiva, mas quero registrar que alguns exemplos educam e, muitas vezes, a postura de um professor, principalmente diante de uma turma de alunos-professores, é muito eloqüente e ajuda a refletir.
A aprendizagem é um processo coletivo e solidário e, quando o educador se coloca nessa posição de co-ensinante e co-aprendente, inevitavelmente ele mostrará suas fragilidades (sua desorganização, sua falta de tempo para dar conta de tudo que assumiu, sua memória restrita, sua dificuldade de ler os e-mails dos alunos e depois lembrar-se do que se tratavam,...), mas essas fragilidades sempre serão insignificantes diante das grandes construções que nascerão dessa sua postura humana, parceira e humilde diante do processo de ensino e aprendizagem. Com isso, fecho o parênteses com o qual abri este texto, não sem antes agradecer à professora Dóris pelo exemplo de educadora que é, pois num curso de formação para professores é essencial que se vivencie o que se ensina e que não haja diferença entre o discurso e a prática.
A interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil possibilitou-me uma releitura de tudo que já sabia ou pensava saber sobre EJA. Levou-me a buscar outras leituras e ir além do que me era oferecido. Isso tudo porque foi uma interdisciplina desafiadora, não voltada apenas a muitas postagens de trabalhos, mas a muita leitura, releitura, pesquisa e, sobretudo, autoria.
Produzir um pôster, ao final da interdisciplina, foi ao mesmo tempo um desafio e uma conquista emancipatória. Nunca tinha construído um pôster e, até chegar a ele, a pesquisa foi intensa, minha capacidade de análise e síntese foi explorada totalmente, minhas potencialidades tecnológicas foram postas à prova e, principalmente, minha aprendizagem foi extremamente significativa.
Não posso dizer que, apesar dos textos indicados serem novidades na minha leitura anterior sobre EJA, tenha construído aprendizagens que me desestabilizassem por seu caráter inédito diante de minha experiência. Sempre li muito sobre EJA e, portanto, não posso considerar-me desatualizada ou sem conhecimento relativo a essa modalidade. Entretanto, a interdisciplina auxiliou-me no sentido de organizar minha elaboração sobre o assunto, formulando as questões que se constituem essenciais no trabalho com a EJA e sistematizando suas características num processo que só agora é, para mim, totalmente consciente. E isso se deu através da pesquisa e da possibilidade de autonomia no processo de construção da aprendizagem que me foi concedida no decorrer da interdisciplina.
Aprendi muito e nem percebi que estava aprendendo, pois essa aprendizagem se baseou na socialização do saber de uma forma muito prazerosa e intensa . O processo de elaboração e construção do pôster envolveu coleta de dados, análise dos mesmos, comparação, elaboração e aporte teórico, além de criatividade e habilidade tecnológica. Tudo isso constituiu uma experiência muito rica e significante, que me impele inclusive a continuar e ler e elaborar sobre o assunto, a falar sobre ele em todas as oportunidades e a ter o desejo de continuar pesquisando, descobrindo e percebendo que nenhum tema está esgotado enquanto tivermos a capacidade de investigar, pesquisar, dialogar e aprender.
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