
Na tentativa de sintetizar minhas aprendizagens nesse período de recuperação da interdisciplina de Seminário Integrador VII, gostaria de remeter-me às discussões do fórum, que julgo terem sido muito ricas em relação às abordagens acerca das questões que permeiam as arquiteturas pedagógicas. Houve colocações e momentos que gostaria de ressaltar, como o registro de uma colega, citando Rubem Alves e que me fez lembrar Moacir Gadotti, no lançamento de seu livro "Boniteza de um sonho", na Feevale, Novo Hamburgo, em 2003: "A mente só guarda o que o coração ama." São palavras que se revestiram de poesia para nos dizer que precisamos significar as aprendizagens, pois só podemos amar o que é significante para nós, portanto, só aprenderemos o que nos completa e nos traz sentido. De uma forma ou de outra nós, professores, vivemos em busca de alternativas para que nossos alunos efetivamente aprendam. O PEAD me apresentou de forma concreta os projetos de aprendizagens assim como outras possibilidades traduzidas em arquiteturas pedagógicas. Não que a idéia do PA me fosse inédita ou estranha. Ao contrário, já se insurgiam nas minhas concepções pedagógicas. Mas hoje vejo, após as leituras e o desenvolvimento, os PAs de forma desmistificada. Ou seja, o que parecia tão difícil de conceber, planejar e desenvolver, tornou-se muito mais próximo e possível, na medida em que basta que se permita que nossos alunos tenham curiosidade, possam fazer perguntas e buscar respostas. A pedagogia da incerteza nos traz essa idéia. Partir da idéia da incompletude do ser que nos trouxe sempre Paulo Freire, traduzindo-a na "pedagogia da pergunta" e da perspectiva construtivista de Piaget, coloca o processo de ensino e aprendizagem numa perspectiva dinâmica, interativa e socializadora. Para isso, as arquiteturas pedagógicas, inerentes ao uso das novas tecnologias, tornam-se alternativas para compor um inédito viável que se insurge de forma inevitável em tempos de globalização.
As colocações dos colegas no sentido de que nossas escolas ainda estão um tanto distantes da WEB 2.0 me fizeram pensar nesse inédito viável a que se referia Paulo Freire. O ineditismo de cada nova tecnologia foi se incorporando ao dia a dia escolar e hoje são recursos usuais. Precisamos sim buscar a viabilidade para o uso das novas tecnologias e é através do reconhecimento da dinamicidade dos processos educativos e da potencialização de nossas reivindicações junto às redes de ensino e às mantenedoras que construiremos as condições necessárias para isso. Os textos lidos apontam para a necessidade da formação dos professores para atuar também com os recursos da aprendizagem em rede e acredito que esse viés vem tomando corpo nas concepções que permeiam essa formação. As novas tecnologias estão aí e precisamos estar prontos a fazer delas instrumentos de ensino e aprendizagem efetivos. Hoje a WEB 2.0 é realidade ainda distante para nossas escolas. Daqui a um tempo muito curto certamente estará incorporada às práticas escolares e novos desafios surgirão. Não podemos, como educadores, estagnar ou ficar na contramão dos avanços que atraem e encantam nossos alunos e que surgem como emuladores da aprendizagem. Entretanto, é necessário que compreendamos as tecnologias também em seu caráter pedagógico, para que teoria e prática caminhem juntas e constituam-se como integralidades significativas na construção efetiva do conhecimento.
As discussões no fórum trouxeram também algumas provocações importantes no sentido de ampliar a discussão acerca das arquiteturas pedagógicas e, mais especificamente, dos PAs. A questão da interdisciplinaridade, por exemplo, tão discutida e invocada entre nós, professores, e que, na maioria das vezes, tem seu fim no discurso. Não é fácil fazer um trabalho interdisciplinar quando se está engessada por currículos estabelecidos, listagens de conteúdos e uma avaliação que considera o educando como um ser compartimentado. E a maioria de nossas escolas funciona dessa maneira: tem a hora da matemática, a hora da história, da geografia, da educação física...e em cada uma dessas horas existem conteúdos dos quais precisamos dar conta e fazer com que nossos alunos nos "devolvam" no final do período através de algum instrumento que nos prove que aquilo foi devidamente digerido e reproduzido. A educação bancária ainda tem um grande espaço nos ambientes escolares. O desafio é: Como ajudar nossos alunos a organizar, selecionar e analisar as informações, transformando-as em conhecimento? Não fazemos isso engavetando, compartimentando, ao contrário, precisamos agir de forma a integrar e contextualizar os objetos de aprendizagem de modo que se transformem numa unidade que faça sentido, que signifique ou até ressignifique o que já sabemos diante do que estamos descobrindo. Os PAs são instrumentos que contemplam muito bem esse caráter interdisciplinar. Além deles, outras arquiteturas pedagógicas apresentam esse viés, pois trazem consigo a idéia de que informação e conhecimento são conceitos distintos. Quando estimulamos a pesquisa coletiva através dos PAs, por exemplo, estamos possibilitando que nossos alunos construam conhecimentos matemáticos através da leitura de um texto informativo, ao mesmo tempo que constroem estratégias de interpretação e de produção escrita e, possivelmente, estejam descobrindo um rol de informações científicas que poderão ser organizadas, sistematizadas e se transformarem em aprendizagens significativas e transformadoras. Trabalhar interdisciplinarmente vai além da utilização da temática escolhida para compor atividades didáticas de várias disciplinas. Interdisciplinaridade propõe a possibilidade de interagir sobre o objeto de estudo, olhando-o e analisando-o em todos os seus aspectos, abordando todos os seus ângulos e todas as dimensões. Fazemos isso quando propomos um PA, desde que nos coloquemos também no lugar de pesquisadores e estejamos dispostos a transgredir no que tange aos currículos, à avaliação ou qualquer outro aspecto que envolve a escola tradicional.
2 comentários:
Querida Simone,
A atividade 4 exigia que fosse realizada ao longo de todo o período de recuperação. Logo, necessitaria ter mais de uma publicação. Fazer uma reflexão somente no final, faz com que a concepção de aprendizagem envolvida na atividade seja empirista, onde vemos um resultado final e não o acompanhemento de um processo de construção do conhecimento.
Um abraço,
Jaqueline
Olá Simone!
Estou ansiosa por ler as reflexões sobre tuas aprendizagens neste 8º semestre. Lembre-se que é fundamental que os registros sejam realizados dentro das datas estabelecidas.
Qualquer dúvida estou a disposição.
Abraços, Cátia
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