terça-feira, 18 de maio de 2010

APRENDENDO DE TODAS AS FORMAS ...ATÉ NO VÁCUO




Concluí minha primeira semana de estágio ainda premida pelos prazos, uma vez que me encontrava muito atrasada em relação aos demais colegas no que se referia à construção de meu projeto de estágio e demais atividades relacionadas à Prática de Estágio. Com isso, sem quase nenhum tempo de acesso ao computador, acabei produzindo muita coisa no papel e não tendo condições de digitar. Por isso, só agora estou tentando regularizar as postagens nesse blog, enfatizando, entretando, que os registros foram sendo construídos na medida em que ia vivenciando as situações, sendo que hoje tive a possibilidade e as condições de organiza-los e posta-los.
Minha maior aprendizagem, ao final desta semana, não foi relativa propriamente à práticas de sala de aula. Foi relativa a meu desenvolvimento teórico no que se refere às minhas concepções de educação, de ensino e aprendizagem.
Como já coloquei anteriormente, meu projeto de estágio se baseia fortemente nos pressupostos da educação popular como instrumento de transformação do indivíduo, do grupo e do contexto em que se inserem. Além disso, tenho a convicção de que a escola deve assumir o seu papel nesse processo e, para isso, a reconversão cultural da escola, como muito propriamente coloca José Clóvis de Azevedo, se faz premente para que as práticas alienantes que ainda de reproduzem no seu meio estanquem e evoluam no sentido da conscientização.
Em alguns momentos da construção desse projeto, mais propriamente ao final dessa primeira semana de estágio, fui questionada em relação ao enfoque da educação popular do qual o mesmo vinha se revestindo. Pareceu-me que havia um entendimento de que educação popular não ocorre na escola nem com crianças, mas que eram concepções direcionadas e limitadas aos movimentos sociais ou à educação de jovens e adultos.
Num primeiro momento, confesso que me tomei de indignação diante de tais questionamentos. Pareceu-me desrespeitoso intervir de forma tão direta nas minhas concepções mais radicais (das raízes) e tentar me moldar a práticas nas quais não acredito. Além disso, foi questionado inclusive o fato de eu não ter trabalhado especificamente com as crianças Tiradentes (em função da data) e o descobrimento do Brasil (dessa forma mesmo: descobrimento, sem ao menos utilizar a palavra entre aspas). Entendi, então, a diferença na abordagem.
Em meio a algumas trocas espinhosas, alguns acarinhamentos e “colos” para todo mundo, devo dizer que este momento foi de intensa produção teórica. Precisei buscar mais subsídios ainda na tentativa de defender minhas concepções e o fiz de maneira muito concreta.
Hoje, passado, assimilado e acomodado o conflito, devo reconhecer que foi saudável tê-lo vivenciado e que as aprendizagens construídas através dessa experiência foram tangíveis e fortaleceram ainda mais minha convicção de que é necessário reconverter culturalmente a escola e é necessário que essa reconversão se dê a partir dos formadores dos profissionais da educação. Não é um caminho fácil, mas é urgente se desejamos que a possibilidade de um outro mundo possível não fique apenas nos cartazes dos Fóruns Sociais Mundiais e nas palavras vazias de pessoas que falam para ninguém.

0 comentários: