sábado, 22 de maio de 2010

ASSUMINDO RESPONSABILIDADES

A segunda semana de meu estágio (de 26/04 a 30/04) foi marcada por um trabalho com grande participação dos alunos e de suas famílias.
Trabalhamos intensamente com suas histórias de vida e de suas famílias, envolvendo a todos num processo de resgate de suas origens e identidade cultural.
Ao mesmo tempo em que conhecíamos mais aprofundadamente a cultura indígena e nos chamava a atenção sua característica de valorização da ancestralidade, também buscávamos, através de tarefas de casa e em sala de aula, conhecer e valorizar as histórias de nossos antepassados como forma de nos reconhecermos como seres históricos.
Nesse momento, a participação das famílias foi fundamental. Quase todos os educandos conseguiram colher, através do diálogo com os familiares, histórias muito interessantes e que instigaram nosso desejo de conhecer mais.
O que me fez refletir, no decorrer da semana, foi o prazer que as crianças demonstravam ao falar de si mesmas e de suas famílias. Isso me levou a um questionamento sobre o que fazer com todo esse conhecimento que agora fluía para que esse processo de reconhecimento ou descoberta dos conteúdos sócio-culturais e históricos desses sujeitos não fosse submetido ao senso comum ou simplesmente ao vácuo do não aprofundamento.
“Para mim, a realidade concreta é algo mais que fatos ou dados tomados mais ou menos em si mesmos. Ela é todos esses fatos e todos esses dados e mais a percepção que deles esteja tendo a população neles envolvida. Assim, a realidade concreta se dá a mim na relação dialética entre objetividade e subjetividade.” (Freire in Brandão, 1999, p.35).
Minha aprendizagem mais significativa nessa semana vem no sentido a que se refere Freire nessa obra organizada por Carlos Rodrigues Brandão: a percepção da necessidade de possibilitar que nossa pesquisa seja voltada para a compreensão da realidade dos sujeitos que nela estão inseridos. Conhecer meu papel como pesquisadora, nesse momento, é fundamental, pois é necessário um exercício dialético para aliar objetividade e subjetividade na análise e utilização desses dados, de forma a poder construir um trabalho emancipatório, que venha a contribuir para a libertação dos sujeitos e não para sua dominação. Como ainda aponta Freire, na mesma obra, “Fora desta compreensão e deste respeito à sabedoria popular, à maneira como os grupos populares se compreendem em suas relações com o seu mundo, a minha pesquisa só tem sentido se a minha opção política é pela dominação e não pela libertação dos grupos e das classes sociais oprimidas”. (Freire in Brandão, 1999, p.35).
Percebo agora a dimensão da responsabilidade de que se reveste este trabalho e, nessa perspectiva, espero poder mediá-lo com sensibilidade para que não se desintegre na banalização ou seja distorcido pela interpretação. Pesquisar é buscar sentido, construir conhecimento, mas, sobretudo, é comprometer-se com a transformação. E estou total e definitivamente imbuída desse compromisso.

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