A terceira semana de estágio (de 03/05 a 07/05) foi, para mim, um tempo de diversão. Realizamos inúmeras atividades que nos trouxeram grande prazer e encantamento. É difícil, inclusive, escolher uma aprendizagem mais importante dentre tantas experiências vivenciadas com saber e sabor.
Penso, entretanto, que o que ocorreu de mais especial e marcante, no decorrer desta semana, foi a própria essência da redescoberta da alegria de aprender e ensinar. Parece um tanto abstrato falar em alegria quando estamos em meio a um período de estágio que pressupõe pressão, muito trabalho e múltiplas tarefas a realizar, mas devo confessar que nesses dias fiz a opção pela alegria e foi um período muito bom de ser vivenciado.
“Ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria” (Freire,1997, p.160). Freire apontava a alegria e a boniteza como a essência da aprendizagem. Eu concordo com ele e, na semana que passou, compreendi ou (re)compreendi o sentido dessa boniteza e dessa alegria a que ele se referia.
A semana iniciou-se após o feriado do dia do trabalhador e se encerrou às vésperas do dia das mães. Um “prato cheio” para quem gosta de trabalhar com datas comemorativas, o que nunca foi meu caso. Mas, em função de já ter sido advertida de que deveria ter dado ênfase a Tiradentes e ao “descobrimento” do Brasil, resignei-me às datas da vez e me empenhei, então, a realizar um trabalho agradável e que trouxesse sentido às mesmas.
Nesse caminho, trabalhamos muito as questões que envolvem o mundo dos trabalhadores, sua situação, suas lutas e suas dificuldades. Envolvemos as famílias mais uma vez através de tarefas de pesquisa sobre suas profissões e impressões sobre as mesmas. Realizamos debates bastante intensos, trocando experiências e leituras de mundo e construindo aprendizagens concretas. O trabalho é um tema bastante presente na vida das crianças. Falam sobre o trabalho de seus pais e outros familiares com propriedade, pois este assunto, pelo que pude perceber, é muito comum entre as famílias.
As mães, por sua vez, são figuras fundamentais na história e na vida de todos. E as mães são trabalhadoras. Nesse sentido, instiguei a discussão sobre o trabalho das mães, mesmo quando não trabalham fora, e sobre a necessidade de valorizar esse trabalho. Dessa forma, dialogando sobre as relações que se estabelecem entre mães e filhos, comparando realidades e percebendo-as sob novas perspectivas, nos embrenhamos no universo das mulheres-mães-trabalhadoras, ressignificando a data comemorativa e revestindo-a de importância não comercial.
Cantamos, tocamos violão, fizemos arte, criamos, dialogamos, brincamos, enfim, nos divertimos muito e aprendemos ainda mais. Penso que é a isso que se refere Freire quando fala da boniteza de ensinar e aprender.
sábado, 22 de maio de 2010
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