Iniciei minha primeira semana de estágio no dia 20 de abril. No dia anterior, realizei observação na turma e conversei com a professora titular acerca de suas especificidades. Ela colocou-me sua rotina de trabalho e falou sobre sua maneira de trabalhar, o que pude também observar na manhã em que estive na sala de aula. Ao ceder-me a turma para o período de estágio, a professora solicitou que essa rotina fosse alterada o mínimo possível, a fim de que as crianças não tivessem modificado seu ritmo e sua dinâmica de trabalho quando reassumisse a turma. Colocou, também, a importância de considerar os conteúdos propostos para o ano, para que não haja atrasos em seu cronograma. Outra preocupação da professora é o fato de que o período de meu estágio coincide com o final do trimestre e, portanto, de avaliação. Em relação a isso, solicitou que eu utilizasse instrumentos de avaliação semelhantes aos utilizados por ela (testes semanais, produções escritas, ditados, interpretações de textos,...), de forma que não haja dissonâncias entre nossas formas e critérios de avaliação.
Diante dessas colocações da professora, propus a escolha de uma temática que instigasse a turma e que, ao mesmo tempo, pudesse contemplar interdisciplinarmente, todas as questões abordadas. Como ela já havia pensado numa atividade denominada autorretrato, sugeri, então, a temática IDENTIDADE CULTURAL, como forma de abordar assuntos como etnias e os aspectos culturais, sócio-econômicos e linguísticos de diversos povos e comunidades, numa perspectiva de reconhecimento e autoreconheciento das crianças como seres histórico-sociais-culturais, em relação ao mundo e às pessoas.
Ao iniciar o trabalho com a turma, percebi que a temática era de interesse geral e que poderia vir a constituir-se num Projeto de Aprendizagem, desde que desenvolvida numa perspectiva crítica e participativa, na qual os alunos se constituíssem em sujeitos da construção e não ficasse apenas voltada a acúmulo de informações acerca do tema.
Ao projetar esse trabalho, penso que ele está repleto de possibilidades de ir muito além do estudo das diversas etnias que compõem o panorama histórico-cultural da região. Ele propõe o reconhecimento dos sujeitos envolvidos no processo como seres históricos, que possuem características culturais diversas, que devem ser respeitadas e valorizadas. A consciência da cidadania é o primeiro passo para que as camadas populares busquem a sua emancipação. Trabalhando a partir das histórias de vida das crianças e de suas famílias, é possível desenvolver um trabalho de (re)descoberta individual e coletiva, no sentido de buscar significação nos aspectos sócio-histórico-culturais que são inerentes à sua existência.
Pensando a educação numa perspectiva emancipatória, Paulo Freire nos leva a perceber que os educandos trazem consigo sua bagagem de história de vida, experiências e concepções. Essa bagagem lhes faz sentido e é base de suas idéias, opiniões e conhecimentos. É de fundamental importância, portanto, que se respeite e considere essa essência, já que a partir dela podem-se gerar muitas possibilidades de aprendizagem e construção de conhecimento. É por esse caminho que estou construindo meu projeto de estágio e inicio o trabalho.
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