Inicio com dois registros que desejo compartilhar:
O que aprendemos sobre cultura e preconceito
Texto produzido pela turma 4 A 1
Nós lemos a fábula africana chamada “O sapo e a cobra”.
Gostamos muito da fábula e resolvemos pesquisar sobre duas palavras que chamaram nossa atenção, que são CULTURA e PRECONCEITO.
Essas palavras não estão no texto, mas a gente discutiu sobre ela porque no texto havia duas famílias que tinham culturas diferentes e preconceito uma com a outra.
Na nossa pesquisa descobrimos que a cultura de um povo é o conjunto das crenças, costumes e valores desse povo. Descobrimos também que preconceito é ter uma idéia negativa sobre alguém que ainda não conhecemos direito. Um dos piores preconceitos é o racismo.
Nós aprendemos bastante com a fábula africana e com a pesquisa que fizemos.
Uma manhã com o Professor César
Texto produzido pela turma 4 A 1
Hoje recebemos a visita do Professor César Moura.
Ele veio contar histórias africanas e cantou umas músicas muito interessantes, com berimbau, violão e outros instrumentos que ele mesmo inventou.
Ele falou que os negros antigamente faziam rodas para se organizar e jogar capoeira.
Ele também falou que os negros foram trazidos da África dentro de navios e quem chegava vivo era vendido para as fazendas como escravos e eram maltratados.
Em 13 de maio de 1888, foi assinada uma lei pela Princesa Isabel, chamada Lei Áurea, que dava direito aos escravos de serem livres. Mas ela não fez essa lei porque era boazinha. Ela fez isso porque tinha muita gente lutando pela libertação dos escravos. Mas mesmo com a lei eles não eram livres porque tinham que trabalhar só pela casa e a comida, poius não tinham nada.
Ele nos ensinou o RAP DO RESPEITO e o refrão da música FAZER ACONTECER para a gente terminar essa música, porque ele ainda não terminou. Achamos que vai ficar uma música muito legal.
Professor César, foi muito legal o senhor ter vindo nos visitar. Valeu!
Resolvi iniciar minha postagem relativa à quarta semana de estágio (de 10/05 a 14/05) com a apresentação de dois textos construídos coletivamente por nossa turma, pois estes expressam a síntese de aprendizagens muito significativas.
O primeiro texto fala das aprendizagens que construímos a partir da leitura, do diálogo e da exploração global da lenda africana “O sapo e a cobra” e aos desdobramentos que este texto alavancou em nosso processo de construção. Já o segundo texto trata de um relato de aprendizagens e também de um agradecimento que fazemos ao Professor César Moura, que veio nos mostrar um pouco de seu trabalho como professor, sociólogo, ativista do movimento negro e, principalmente, griot (palavra de origem africana que designa os contadores de histórias, ou seja, os que mantém viva a cultura do seu povo através da oralidade).
A temática da identidade cultural vem permeando meu projeto de estágio desde a sua concepção. Nesse projeto, inclusive, está claro que estarei desenvolvendo um projeto de aprendizagem a partir da mesma. Tenho proporcionado, em sala de aula e fora dela, vários momentos em que a temática da identidade cultural está sendo pesquisada e debatida, havendo o registro dessas construções, o que, de certa forma, já se insere como um projeto de aprendizagem, apesar de não seguir os passos formais colocados no PEAD.
Fui questionada a respeito do uso de arquiteturas pedagógicas em meu estágio. Tenho buscado muito compreender melhor esse conceito, realizando todas as leituras indicadas e buscando mais algumas, na tentativa de perceber o que exatamente caracteriza uma arquitetura pedagógica. Essa foi minha principal preocupação no decorrer dessa semana.
A questão que se põe, para mim, nesse momento, é a seguinte: se as arquiteturas pedagógicas têm o caráter de “pensar que a aprendizagem é construída na vivência de experiências e na demanda de ação, interação e meta-reflexão do sujeito sobre os fatos, os objetos e o meio ambiente sócio-ecológico” e os “seus pressupostos curriculares compreendem pedagogias abertas capazes de acolher didáticas flexíveis, maleáveis, adaptáveis a diferentes enfoques temáticos.” (Nevado, Carvalho e Menezes, Arquiteturas pedagógicas no PEAD), porque nos são colocadas como fórmulas pré-estabelecidas e engessadas em si mesmas? Por exemplo: um projeto de aprendizagem deve seguir as etapas estabelecidas, sendo necessário o uso de mapas conceituais mesmo que essa forma de sistematização não faça sentido a quem está participando do processo. Onde ficam, nesse momento, as pedagogias abertas e as didáticas flexíveis? Onde fica o respeito às construções, às vivências?
Resolvi pautar esse assunto nessa semana porque é uma aprendizagem que estou construindo e que tem se revestido de extrema importância para a continuidade de meu trabalho. Tenho debatido um pouco sobre o assunto com minha orientadora, mas ainda não estou convencida de que, para realizar com sucesso um projeto de aprendizagem, precise estar amarrada a uma fórmula. Sei que não podemos ser espontaneístas nem agir de forma intuitiva, mas não se trata disso. Trata-se de permitir que o processo transcorra naturalmente e que o caminho se faça ao caminhar, sem a necessidade de seguir um rumo pré-estabelecido que, seguramente, alterará nossa rota natural.
Abri esta postagem com dois textos produzidos coletivamente por nossa turma em momentos diferentes da semana, mas repletos de aprendizagens e significação. Esses registros, sob minha ótica, constituem uma sistematização muito eficiente de nossas construções. Penso que as pessoas aprendem, conhecem, reconhecem e mudam através de caminhos mais diversos e que devem ser respeitados e, se possível, desimpedidos para que todos possam caminhar e ir em frente. Qualquer restrição que se interponha a esse caminhar se tornará obstáculo se não apresentar sentido para os caminhantes.
Dessa forma, utilizo esse espaço para expor minha incerteza – e as incertezas integram a aprendizagem. Tudo o que venho construindo até agora me leva a entender que qualquer estratégia pedagógica criada e planejada para construir conhecimento de forma significativa se constitui numa arquitetura pedagógica. Não importam seu formato, os recursos utilizados, os caminhos percorridos. O objetivo é construir a aprendizagem e a ele se chega a partir do que temos e do que vamos conhecendo no caminho. Portanto, há que se flexibilizar-se, há que despir-se de padrões e fórmulas e há que encharcar-se de todo o encantamento possível para que possamos aprender sem grilhões, com seriedade, planejamento, participação e ação-reflexão-ação.
sábado, 22 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário