terça-feira, 18 de maio de 2010

REDESCOBRINDO A ESCOLA E TODAS AS SUAS POSSIBILIDADES




Na semana de 12 a 16 de abril de 2010 praticamente todos os colegas do PEAD estavam iniciando sua Prática de Estágio. Eu ainda estava em dificuldades por estar atuando fora de sala de aula e fora, também, do espaço escolar. Com isso, precisei procurar realizar minha Prática de Estágio em horário extra, aumentando em muito minha carga de trabalho. Além disso, a escola onde havia acertado meu estágio passou por alterações em seu quadro de professores e a única professora que havia concordado em ceder sua turma para essa atividade foi deslocada, ficando a turma a cargo de uma professora recentemente nomeada, em Estágio Probatório, que, por regras da rede, não poderia ceder a turma para atividades de estágio.
Precisei buscar outra escola, outra turma, e tudo o que já tinha pensado e organizado precisou ser mudado. Isso foi difícil e me deixou, por um momento, em pânico.
Contei com a compreensão e o apoio dos professores Leonardo e Jaqueline neste momento, quando recorri a eles na aula presencial, e estes me acolheram em seu grupo e compreenderam minha necessidade de iniciar o período de estágio apenas na semana de 19/04, em função da necessidade de alteração de meu horário de trabalho durante este período, a fim de liberar o turno da manhã para a realização da Prática de Estágio.
Foi um período turbulento e desgastante. Enquanto meus colegas já estavam iniciando o estágio em suas respectivas turmas, eu ainda buscava uma escola que me acolhesse. Só tive essa confirmação por parte da escola no dia 14 de abril, quando pude respirar aliviada e começar a pensar efetivamente em meu projeto de estágio.
Estou atuando em um projeto da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Novo Hamburgo, que trabalha com a educação social da população em situação de rua, abrangendo crianças, adolescentes, jovens e adultos. Nesse projeto, atendemos essa população de forma a resgatar seus vínculos familiares e comunitários, a fim de que possa (re)construir e (re)significar suas vivências, buscando alternativas viáveis e concretas para melhorar suas condições de vida.
Tenho trabalhado, portanto, de forma muito distante da realidade escolar, apesar de continuar atuando numa perspectiva educativa e pedagógica. Foi difícil retornar às paredes da sala de aula, pelo muito que tenho direcionado minhas práticas a esse trabalho diferenciado. Mas esse trabalho foi fundamental para que eu revisse minhas leituras e buscasse na educação popular os alicerces para o enfrentamento das questões que envolvem as práticas sociais vigentes e para a construção de aprendizagens que extrapolam os limites da formalidade, em busca da formação da autonomia cidadã do sujeito.
Desejo refletir sobre isso porque essa experiência ajudou-me a sublimar algumas dificuldades iniciais. Ao retomar minha leitura sobre educação popular, percebi que era exatamente nesse sentido que desejava nortear minha prática de estágio, pois estou convicta de que não podemos perder de vista, como educadores, a integralidade do ser humano e sua necessidade de reconhecer-se e inserir-se na sua comunidade e na sua família como agente de esperança e de transformação da realidade. Para quê serve a educação se não para transformar? Fora desse sentido, apenas reproduzimos o que historicamente nos tem sido imposto. A escola, nesse caso, perde a sua função social e apenas adestra os indivíduos para que se adaptem a um sistema que nunca será questionado e muito menos redefinido a partir das necessidades das classes populares.
Nesse caminho, busquei novamente Paulo Freire, que nos traz, no conjunto de sua obra, importantes contribuições no sentido da reflexão crítica acerca da educação tradicional burguesa – educação bancária – na qual o educando é visto como mero depósito de conteúdos, trazendo-nos a alternativa de uma educação para a consciência, na qual os educandos se revestem de seu contexto e transformam a aprendizagem e o conhecimento em elementos políticos imprescindíveis para a transformação de si mesmos e do mundo.
Foi a partir dessas premissas que iniciei a construção de meu projeto de estágio. E é nessa perspectiva freireana que pressupõe um processo contínuo de ação-reflexão-ação que venho construindo e desconstruindo minhas práticas, nesse período. Tem sido interessante me sentir novamente parte desse processo no qual docência e discência caminham lado a lado, pois uma não caminha sem a outra e todos no educamos em comunhão.

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