terça-feira, 1 de junho de 2010

AINDA RELETINDO SOBRE PROJETOS DE APRENDIZAGEM


Desejo continuar utilizando esse espaço para refletir sobre o trabalho a partir de projetos de aprendizagem, pois este tema tem se tornado uma constante para mim nessa reta final da prática de estágio. Estive muito insegura em relação ao desenvolvimento de um PA, uma vez que não gosto da fórmula sob a qual este nos foi apresentado. Considero um formato engessado, que não respeita a caminhada, mas estabelece o caminho. Não gosto da obrigatoriedade dos mapas conceituais, pois estes, para mim, não têm significado. Não me identifico com esta forma de sistematização e não a entendo como necessário.
Superado, entretanto, a fase desses questionamentos, iniciamos, finalmente, o trabalho com um projeto de aprendizagem de forma mais sistemática. Fui desafiada a isso e confesso que resisti, mas acabei concordando com a exigência e me lancei à tarefa. Minha resistência não estava relacionada com o projeto de aprendizagem na sua essência, mas ao formato rígido que nos foi colocado. Diante disso, lancei-me à leitura e à releitura sobre o tema.
Encerrei minha sexta semana de estágio e a segunda semana trabalhando formalmente com um projeto de aprendizagem. Já consigo vislumbrar alguns resultados – sucessos e fragilidades – desse trabalho no cotidiano. Reforça-se em mim a crença de que um trabalho que pressupõe a aprendizagem a partir da curiosidade e do interesse das crianças não deve estar formatado rigidamente. Há que ser flexível, moldável de acordo com os rumos da aprendizagem e das construções que se sucedem.
A construção dos mapas conceituais não está fluindo. As crianças têm dificuldade em formulá-los e compreende-los como uma representação de sua aprendizagem. Tenho insistido nessa construção, mas não estou imbuída da convicção de que seja significativa.
Retomando a leitura de Hernandez e Montserrat, realizada ainda na interdisciplina de Didática, Planejamento e Avaliação, posso concluir que não estou errada quando defendo a flexibilização do formato do PA. Esses autores se referem aos projetos de aprendizagem como possibilidades abertas de aprendizagem, transformando-a em uma fonte de prazer e descoberta constante, através de um processo coletivo no qual todos têm a possibilidade de contribuir trazendo suas dúvidas, apresentando suas certezas e buscando estratégias para construir conhecimentos. O tema de um projeto é importante porque instiga a curiosidade do grupo, entretanto, o desafio é não permitir que o estudo do tema se sobreponha de tal forma que restrinja a participação e o envolvimento de todos. Por isso, trabalhar por projetos exige constante avaliação do processo, para que este se mantenha dinâmico e instigante para o grupo. Além disso, devemos estar preparados para modificar o planejamento e o curso do trabalho, contemplando as novidades e os novos conhecimentos que virão se incorporando a ele, de forma interdisciplinar e coletiva, sem perder de vista a sistematização e a organização desses novos conhecimentos de forma significativa.
Os autores delineiam o papel do professor no trabalho por projetos como o de facilitador. Ele deve estar atento para prover as condições necessárias ao desenvolvimento do trabalho sem direcionar-lhe autoritariamente, apenas conduzindo e organizando o estudo na direção da solução das dúvidas e das respostas investigadas.
O projeto de aprendizagem encanta na medida em que valoriza o conhecimento e a participação de todos, possibilita intervenções múltiplas e, por estar vinculado ao interesse do grupo, oportuniza atividades recheadas de significado, portanto, efetivas.
Nesse sentido, não há espaço para formatação ou rigidez num projeto de aprendizagem. Ao contrário, é necessário sensibilidade e adequação para que este não se perca no embaraço da fórmula e nem na unilateralidade. É preciso imergir no projeto e deixa-lo fluir com naturalidade científica. Não de forma espontaneísta nem intuitiva, mas conscientemente, fundamentadamente, buscando chegar aos objetivos sem deixar escapar o encanto e a alegria.

REFERÊNCIA:

HERNANDEZ, Fernando; MONTSERRAT, Ventura. Os projetos de trabalho: uma forma de organizar os conhecimentos escolares. In:___.A organização do currículo por Projetos de Trabalho.5ª edição,Porto Alegre: Artmed,1998.

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