
No sétimo semestre do PEAD pude aprofundar meus estudos especialmente em duas esferas que muito me interessam: A Educação de Jovens e Adultos e a Linguagem em todas as suas manifestações, inclusive a Língua Brasileira de Sinais. Esses estudos serviram de base para reflexões e construções muito significativas e que se tornaram diferenciais para minha prática pedagógica e para meu crescimento pessoal.
Quando nos referimos à Educação de Jovens e Adultos (EJA), estamos nos referindo a um grupo cultural específico, ao mesmo tempo relativamente homogêneo em suas condições econômicas e sociais, e heterogêneo em suas características e potencialidades individuais. Esse grupo traz consigo suas histórias de vida, experiências, conhecimentos, concepções e reflexões acerca do mundo, de si mesmo e das outras pessoas. Isso decorre também das diferenças advindas dos grupos culturais ao qual pertencem. Segundo Oliveira (1999), o jovem e o adulto da EJA pertencem a "(...)um determinado grupo de pessoas relativamente homogêneo no interior da diversidade de grupos culturais da sociedade contemporânea.”(p. 59)
O aluno da EJA traz, muitas vezes, a marca da exclusão escolar que se revela em seus históricos de repetência, evasão e fracasso escolar. A linguagem utilizada pela escola não lhe é familiar e seus processos cognitivos são ainda fonte de estudo e pesquisa. É no viés de diversidade e valorização do conhecimento de cada indivíduo que a escola como um todo e mais especificamente o professor devem conceber o planejamento. Cada diferença, cada característica específica, cada manifestação de singularidade devem servir como matéria prima na construção de um planejamento que considere para quem está se planejando, para quê se está planejando e de que estratégias serão necessárias para chegar aonde se deseja.
A especificidade não está presente apenas na EJA. Todos os grupos culturais apresentam suas especificidades, inclusive em se tratando da dita escola regular. Alguns grupos, entretanto, evidenciam suas especificidades de forma mais concreta. Podemos citar como um desses grupos os surdos.
As pessoas surdas integram um grupo cultural específico, que também apresenta caráter homogêneo e heterogêneo simultaneamente. Comunicam-se através de uma língua específica – a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Para esse grupo também existe dificuldade em relação à linguagem escolar. Existe, portanto, a necessidade de se considerar as diferenças na elaboração dos currículos para que se tenha condições de acolher essas pessoas efetivamente na escola, preservando-lhes a identidade e as especificidades e valorizando-as de modo que possam constituir-se como sujeitos capazes de ocupar os espaços de cidadania a que têm direito.
Vivemos tempos em que as novas tecnologias se apresentam como recursos bastante eficazes nos processos de ensino e aprendizagem. Estamos expostos a todo tipo de mídia e recursos impressos, eletrônicos e digitais, nos quais devemos estar apropriados e incluídos. A escola pode e deve utilizar-se dessas tecnologias e promover através delas situações de letramento que caminhem junto com o processo de alfabetização. Esses recursos devem estar disponibilizados não só para os estudantes que freqüentam a escola regular, dentro dos parâmetros de idade e processos cognitivos considerados padrões, mas também como para os grupos culturais específicos, citando neste trabalho mais especificamente os alunos da Educação de Jovens e Adultos e as pessoas surdas.
Assim como existe a dificuldade da escola de perceber o jovem e adulto como não crianças e necessitados de processos educativos adequados e fundamentados num planejamento focado nas suas características culturais e interesses, a mesma dificuldade é percebida no que tange aos alunos surdos. As práticas de alfabetização e letramento da escola, muitas vezes, não promovem a participação desses grupos, pois não se utilizam os recursos que o mundo contemporâneo oferece. Nesse sentido, Trindade (2005) aponta que “A análise de artefatos e práticas culturais que compõem o nosso mundo letrado exige que examinemos os diversos discursos que os constituem, discutindo os efeitos desses discursos e suas representações. Tais reflexões exigem novos olhares sobre os diversos artefatos e práticas sociais e escolares de alfabetização e alfabetismo”.(p. 6)
É necessário, pois, um investimento sério na formação dos professores que atuam nesses grupos para que se apropriem das novas tecnologias, da Língua Brasileira de Sinais e dos contextos diferenciados que envolvem cada grupo cultural específico e que tenham condições concretas de intervir de maneira eficaz no processo de ensino e aprendizagem de todos, sem perder-se nos labirintos da diversidade que se apresenta em nossas salas de aula.





